Tantô dos Kakjiura

As histórias passadas da Tantô são de escritos incompletos.
É dito que um ferreiro precisava criar uma lâmina para um intuito esquecido. Era obrigatório, entretanto, que tal lâmina fosse inteiramente feita de material vivo.
As exigências da rigidês e poder de corte da lâmina descartavam o uso de madeira, cascos ou ossos para ela. Então, o ferreiro e seus assistentes desenvolveram um processo de obter o ferro e o carbono para compor o aço direto do sangue humano.

Seria necessário a morte de aproximadamente 900.000 pessoas para se obter ferro o bastante para se fazer uma simples e pequena Tantô. O ferreiro ficou inconsolável, não pela necessidade de tantas mortes, mas pela certeza que nunca conseguiria reunir, prender e sacrificar tal número, ainda mais sem chamar a atenção.

Ele buscou o conselho de um espírito-feiticeiro, que nenhum amor tinha pelos humanos. O espírito apresentou-lhe a solução, bastava ele matar as mesmas 100.000 pessoas 9 vezes.
O ferreiro não entendeu, mas o número ficou mas manejável e seguiu, usando seus recursos para reunir e capturar cerca de 100.000 pessoas do nômade e recluso povo Ainu.
Levando-os até o feiticeiro, esse dispôs 8 espelhos em um circulo de 9 espaços. De cada espaço, uma canaleta saía para o centro do círculo, onde um grande buraco coletaria a matéria prima.

Um a um, cada um dos Ainu foram levados ao nono espaço, executado e exanguinados. Seu sangue corria como um rio pela canaleta até o centro e de cada um dos 8 reflexos, outro rio de igual quantidade descia pela respectiva canaleta, somando-se no centro à quantidade de sangue já derramada.

Todos foram sacrificados, o sangue foi coletado, o ferro e o carbono foi extraído, e a Tantô foi feita.

Não se sabe se seu propósito foi cumprido ou não, os indícios indicam que o ferreiro e seus assistentes foram mortos pelas tropas do imperador pelo seu imperdoável crime e a Tantô foi confiada a um templo shintoísta para ser purificada e guardada.
Desde então, a tanto vem sido passada pelos sacerdotes do templo,sendo orientados para treinar e dominar o uso e a “aura sinistra” dela.

Depois a guarda foi passada para uma das famílas de um dos sacerdotes, sendo passada de pai para filho. Eventualmente essa linhagem encerrou-se e o punhal foi confiado a uma linhagem correlata de primos distantes e assim segiu.

Tantô dos Kakjiura

Fundação V: Strange Worlds HouseWayne HouseWayne